60 - CARTINHA DA ALEGRIA

Fui a um parque de diversões e entrei na roda gigante.
Lá estava um menino feioso, com ar maligno.
Seu nome era Orgulho.
Ele estava de olho nas criancinhas, pois sabia que, um dia, elas seriam adultas.
Se ele as corrompesse agora, plantando nelas o vírus do orgulho, colheria, no futuro, um monte de adultos insanos.

Era preciso pará-lo, mas eu não sabia como.
Ele era o poderoso Orgulho e eu uma simples criança.

Ele existia há tanto tempo na Terra e eu, somente há alguns poucos anos.
Ele sempre vencia todo mundo e eu era somente uma criança.

Oh, meu Deus! Como eu gostaria de ser adulto para saber o que fazer!
No entanto, de que isso adiantaria? Todos os adultos que conheço são orgulhosos e parecem não ter cérebro nem ética.

De súbito, uma voz ecoou dentro da minha cabeça. Parecia vir de dentro e de fora ao mesmo tempo. Era como um sussurro, mas tinha a potência de um trovão.

Era ao mesmo tempo meiga e forte. Sem dúvida, porque era verdadeira.
Disse-me que além da própria vida, existia um lugar onde as pessoas eram sábias e não tinham o vírus do orgulho.

A experiência havia lhes ensinado que ele não era o melhor caminho.
Esse lugar chamava-se "Cidade da Alegria" e se situava no espaço espiritual acima do mundo.
Disse-me que é para lá que vão as boas pessoas quando morrem.

Essas pessoas são aquelas que dominaram o orgulho durante a própria vida.
Perguntei àquela voz misteriosa por que estava me falando tudo aquilo.

Ela respondeu-me que eu era o futuro e que, se fosse devidamente orientado, poderia ser uma boa pessoa, sem orgulho.
Se durante a vida eu trilhasse o caminho do bem e da humildade, encontraria no espaço a "Cidade da Alegria" e poderia morar lá um dia.

Disse-me que a melhor maneira de enfrentar o orgulho era sempre me considerar um eterno aprendiz da vida.
Que eu deveria respeitar as leis da natureza e procurar me harmonizar com elas.

Pediu-me para que contasse para todas as crianças o conteúdo dessa conversa.
Raciocinei bem e achei que seria melhor escrever esta cartinha da alegria.
Pode ser que algum adulto também leia e se esforce para vencer o próprio orgulho.
Nunca é tarde para mudar o próprio rumo.

Basta ser honesto consigo mesmo e jogar bem limpo em todas as situações.
Em outras palavras, tentar ser adulto nas opções de vida, sem se esquecer da criança que mora no próprio íntimo.

É nessa parte interna de cada um, nicho da alegria cósmica, onde mora a eterna criança que brinca, corre e sorri, pois está ligada à "Cidade da Alegria".
É só a criança interna que consegue vencer o orgulho.

É nela que está a alegria de viver e a fonte do sorriso.
Se todo adulto soubesse disso e deixasse a criança interna se manifestar, como o mundo seria melhor!

Bem, apesar dos pesares e do menino Orgulho continuar caminhando por aí, meu recado está dado e esta cartinha está chegando ao fim.
Ainda bem que pude escrevê-la.

Não é sempre que uma criança interna consegue vencer, por momentos, o seu adulto e deixar o seu recado numa simples cartinha cheia de alegria, em nome da "Cidade da Alegria".

P.S. Nem preciso dizer que a voz misteriosa é de um certo barbudinho bondoso que viveu na Galiléia há dois mil anos e que era a criança interna em pessoa.

- Vidigal -
Cia. do Amor - (A Turma dos Poetas em Flor)

(Recebido espiritualmente por Wagner Borges – São Paulo, 23 de agosto de 1992).


PS: Em nome da criança interna e da "Cidade da Alegria"!

Texto <60><18/10/1998>

59 - COLETÂNEA ESPIRITUALISTA

Caro leitor,

Por favor, leia estes textos com profunda atenção e carinho. Eles são o refrigério espiritual de seu discernimento e a luz de seu coração. São verdadeiros extratos de Sabedoria Perene, iluminando a alma dos viajantes da consciência. Esta pequena coletânea de inspiração vedantina (1) porta o amor dos rishis (2), e felizes são aqueles que percebem seu brilho em meio à "poeira dos tempos modernos".

* * *

58 - DIÁLOGOS - III

Fédon de Elis disse ao sábio Sócrates:

- Querido amigo, por favor, esclareça-me a respeito do caminho da sabedoria. Estou confuso com tantas opiniões diferentes. Um sábio de Atenas ensinou-me Filosofia e iniciou-me nas artes espirituais. Mostrou-me o valor das coisas simples da vida. Ensinou-me a apreciar a beleza das flores, o canto dos pássaros, o sorriso das pessoas, os sentimentos da música e o estudo inteligente das capacidades humanas. Fez-me ver a importância de viver e lutar pelos bons princípios. Aprendi com ele o valor da ação positiva, a participação sadia nas questões humanas e espirituais. Porém, conheci um andarilho místico, pessoa de grande encanto e cordialidade, com quem estudei durante algum tempo. Ensinou-me que toda ação é transitória, pois tudo segue o curso da evolução naturalmente. Explicou-me que as ações externas não são muito importantes. Disse-me que a viagem pelo interior de nós mesmos é a mais importante. Aprendi com ele que tudo é relativo e que nossas ações podem ser fruto de nossas ilusões sensoriais.

Caro Sócrates, um mestre estimulou-me a agir no mundo e o outro a desligar-me das coisas externas e seguir um caminho puramente espiritual. Qual dos dois tem razão? Qual é o melhor caminho, o externo ou o interno?

O sábio grego estava sentado ao lado de Apolodoro. Calado, levantou-se e colheu uma flor de um jardim próximo. Inspirado, começou a rir e conversar com a flor. Disse-lhe: "Minha pequena amiga, o que acha da pergunta de Fédon? Ele deve ir para dentro ou para fora? Tenho certeza de que você sabe a resposta. As potências divinas devem ter inserido no desabrochar de suas pétalas a sabedoria da natureza. Ensine-me o que o céu, o sol, a lua, as estrelas, a terra, a chuva e a luz divina lhe ensinaram. Revele-me a sabedoria de sua simplicidade, terna amiga flor."

Sócrates encostou suavemente a flor em seu peito e fechou os olhos. De alguma maneira por ele conhecida, fez um acoplamento áurico de seu chacra cardíaco com a aura da flor. Ficou em sintonia com ela por vários minutos.

Enquanto isso, Fédon e Apolodoro observavam o desenrolar daquela cena inesquecível: o maior sábio da Grécia consultando uma flor.

Quando Sócrates abriu os olhos havia um brilho maravilhoso em seu semblante. Sentou no chão e começou a rir novamente. Chamou os dois discípulos para sentar com ele e disse-lhes: - Essa flor tem mais sabedoria do que todos os livros de Filosofia do mundo. Disse-me que o sol brilha tanto porque tem uma luz invisível inspirando-o dentro de seu núcleo. Contou-me que cada elemento da natureza lhe serve de referência em seu aprendizado. Aprendeu com a terra, a firmeza; com a luz da lua, a suavidade; com a chuva, a adaptabilidade ao meio; com o céu, a amplitude dos horizontes. Dentro de si mesma aprendeu a meditar, ponderar e fluir com os ciclos da natureza. Dentro de seu equilíbrio interno, seguiu o fluxo de sua própria natureza e desabrochou para o mundo sua beleza, sua cor e seu perfume. Não seguiu caminho algum, de dentro ou de fora. Apenas expandiu-se em sua própria essência. Ela apenas vive e cumpre sua missão na vida: "ser uma maravilha da natureza e foco de inspiração de sábios, místicos, poetas, músicos, artistas e pessoas de coração aberto."

Meus caros Fédon e Apolodoro, o caminho da sabedoria é o caminho da flor. É apenas SER! A luz invisível que ensinou essa flor é a mesma que está dentro e fora de nós. Se viajarmos para dentro encontraremos essa luz em nosso coração. Se viajarmos para fora a encontraremos nos outros corações e no coração da própria vida. Foi isso que a flor me disse: "a luz divina está em tudo!" Caminhos de dentro ou de fora, são apenas caminhos da luz. Alegrem-se, a sabedoria é um caminho sem fronteiras! Vivam, meus amigos, e prestem mais atenção nas flores. Cada uma delas tem beleza, cor, perfume e sabedoria.

- Wagner D. Borges -
São Paulo, 04/10/98.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS:

- Os livros "Viagem Espiritual Vols. I e III" estão esgotados no momento. Estamos produzindo a 5a edição do "Viagem Espiritual I" (revisão geral e nova diagramação) e a 2a edição do "Viagem Espiritual III".

- Dentro em breve, estaremos lançando mais um livro, dessa vez ilustrado pelo artista Cláudio Gianfardoni.

- Em alguns dias, estaremos colocando novas fitas na seção de áudio.

Paz e luz a todos vocês!

- Wagner D. Borges -
São Paulo, 12 de maio de 2000.

*O texto "Diálogos III" foi editado como prefácio do livro "Tocar o Cosmo Interior", de Jeane Braidy e Marlon Moraes (edição pessoal dos autores).

Texto <58><12/10/1998>
Texto <217><13/05/2000>

57 - DIÁLOGOS II

O sábio Vasishta disse a Rama:

57 - FIM DO QUÊ? - II

Alguém me perguntou:
"Wagner, o que você acha desses grupos apocalípticos que estão espalhando pela Internet que ocorrerão grandes catástrofes em breve? Haverá mesmo algum tipo de resgate de grupos de pessoas escolhidas espiritualmente por extraterrestres?"