549 - UMA VIAGEM ESPIRITUAL COM CHICO XAVIER

(Um Presente Espiritual do Médium do Amor)

Cena 1: 4a feira, parte da tarde.

Em meio a um monte de coisas de trabalho, me sinto cansado devido à correria dos compromissos dos últimos meses. Acabei de revisar alguns textos para atualização de algumas colunas do site do IPPB, e daqui a pouco vou preparar mais um texto para enviar às milhares de pessoas cadastradas no site e que recebem duas vezes por semana os textos que envio regularmente. Contudo, olho antes a grande quantidade de e-mails pendentes em minha caixa postal, e simplesmente desanimo diante de tantos que tenho que responder.

Então, mudo o foco de visão e olho para uma pilha de slides coloridos que uso em palestras e cursos, que estão em cima de uma caixa no chão, esperando um tempinho para que eu os recolha em suas devidas seções do armário. Só de olhá-los, já canso. Ainda mais quando penso que após guardá-los, terei que tirar outros para a próxima palestra, no dia seguinte.

Vou até a secretária eletrônica e anoto vários recados, a maioria com temas de trabalho (um me convida para mais uma palestra, o outro me pede um texto para uma publicação, e uma jornalista estrangeira quer me levar mais uma vez para fora do país).

Como estou realizando um curso à noite durante essa semana, deixo o resto de lado e vou preparar as anotações para a aula de hoje. Ligo o som do quarto e coloco o CD novo do IQ (1). Enquanto escuto essa maravilha sonora do rock progressivo inglês, apronto as anotações sobre as orientações projetivas e bioenergéticas de um amparador chinês do grupo extrafísico do Tao-Chi (2). Tratam-se de alguns apontamentos antigos que guardei durante a montagem de um material taoísta, há alguns anos, e que estou atualizando para a turma que está estudando comigo por esses dias.

Volto para a sala e olho para o note-book aberto em cima da mesa. Só de olhar o bichinho e pensar no monte de coisas de trabalho que ele contém, já canso.

Com o som do IQ ecoando pelo apartamento, sento-me no sofá da sala e relaxo um pouco. Leio o novo número da revista Mellotron (3) e delicio-me com as notícias sobre as bandas de rock de que tanto gosto. Sempre que sinto a mente saturada da atividade de trabalho, dou um tempinho, leio, escuto um pouco de música, e depois reinicio o trabalho do ponto em que parei.

Curtindo o som, fecho os olhos por um tempo e começo a pensar em uma alternativa para aliviar a carga excessiva de trabalho. Chego à conclusão de que o melhor a fazer é dar um tempo nas coisas do site do IPPB e suspender temporariamente o envio regular dos textos. Sim, isso me devolveria um tempo precioso para tirar o atraso de outras atividades e dedicar-me a organizar o quarto volume da série de livros “Viagem Espiritual”.

Finalmente, decido fazer isso mesmo.

Vou ao quarto e repito o som do IQ, que não canso de ouvir nos últimos dias.

* * *

Cena 2: À noite, durante uma aula do curso Om Sattva (4).

Enquanto conduzo uma prática espiritual com a turma, surge um dos amparadores do grupo extrafísico dos Iniciados (5). Flutuando sentado à minha frente, ele toca em minha testa (área do chacra frontal, responsável pela intuição e pela clarividência) com o dedo, por duas vezes, e me diz telepaticamente:

“Não pare com o envio dos textos, pois muitas pessoas são beneficiadas por eles. E esse não é um trabalho apenas seu, mas programado pela Espiritualidade Superior. Esses escritos serão lidos em muitos lugares diferentes, sempre levando as idéias espirituais de forma aberta e simples, como é necessário nestes tempos modernos. Continue escrevendo e confie que a Luz irá sustentá-lo em sua jornada.”

Concordo com ele, mas não me furto de pensar: “só que a carga de trabalho continua a mesma, e não vejo como tirar o atraso.”

* * *

Cena 3: Mais tarde, já em casa.

Ligo o note-book e pego os e-mails do dia. Ao ler um dos e-mails, começo a rir. O danado do amparador já sabia das coisas antes, como sempre. É que sou um dos colunistas do site “Somos Todos Um” (6), do Portal do Terra, que tem um acesso de cerca de um milhão de pessoas por mês, e o pessoal gosta bastante dos meus textos. E o e-mail em questão diz o seguinte:

“Olá, amigo Wagner.

Por favor, quando puder, dê uma ligadinha aqui no Somos Todos UM, ou nos diga qual a melhor hora para conversarmos. Temos muitas novidades sobre o site e sobre seus artigos, que estão sendo traduzidos em várias línguas.

Um Abraco, Paz e Luz!”
Rodolfo Fonseca
www.vidanova.com


Cena 4: Madrugada.

Após jantar, vejo os gols da rodada do campeonato brasileiro. Depois, retorno algumas das ligações telefônicas registradas na secretária eletrônica. Resolvidas, leio um pouco e fico quieto. Apago a luz e fico olhando o céu noturno da cidade grande. Elevo o pensamento e agradeço ao AMOR MAIOR QUE GERA A VIDA pelas oportunidades. Embora cansado fisicamente, estou cheio de energias branquinhas circulando pelo corpo, ainda como resultado do trabalho espiritual realizado durante o curso, horas antes.

Sozinho fisicamente no meio da madrugada, penso na imensa responsabilidade de assumir um trabalho de esclarecimento e assistência espiritual em meio a tantas coisas. Penso em algumas entidades extrafísicas enfermas que foram assistidas hoje, e ofereço aquelas energias branquinhas na intenção delas.

A seguir, por volta das 02h30min, deito a carcaça no leito.

Fico em decúbito dorsal, elevo o pensamento e fico pré-disposto espiritualmente para projetar-me para fora do corpo físico. Dilato a aura suavemente e mantenho o pensamento firme, enquanto o corpo relaxa. Em dado momento, sinto algumas presenças extrafísicas dentro do quarto e começam a rolar alguns estalidos nos móveis do quarto. Logo depois, surgem clarões dentro de minha testa. Adormeço assim.

* * *

Cena 5: Início da manhã.

Desperto por volta das 05h30min. Não trago lembrança alguma de algo extrafísico.

Levanto-me, faço um pit-stop básico: banheiro, água, um pedaço de bolo, pois a minha janta foi uma miséria (sobra requentada do almoço) – percalço de quem mora sozinho na cidade grande.

A seguir, medito um pouco sentado no sofá da sala.

Cerca de meia-hora depois, deito a carcaça no leito novamente. Viro o corpo para o lado esquerdo e adormeço rapidamente.

* * *

Cena 6: Entre 06h e 07h30min.

Desperto projetado fora do corpo numa sala grande cheia de livros nas estantes. Parece uma livraria, mas por intuição sei que estou no duplo extrafísico de um grande centro espírita. No centro desse salão há um homem vestido de terno azul marinho completo (em torno dele há uma aura azulada suave). Ele está sentado de costas para onde estou, atendendo algumas pessoas que estão à sua frente. Para cada uma ele tem uma palavra de conforto e ânimo. Vejo-o beijar a mão de várias delas ao se despedir. Mais à frente, bem na porta de entrada do salão, vejo uma fila enorme de pessoas esperando a vez da chamada. Há alguns desencarnados ali, mas a maioria é de pessoas encarnadas projetadas espontaneamente para fora de seus corpos físicos durante o sono. Chego perto para ver quem é aquele homem de atmosfera azulada serena, que de alguma forma me parece familiar.

Então, ele se vira e sorri contente ao me ver por ali. Ele me chama e me abraça apertado, e uma onda de calor suave me interpenetra completamente. Sou tomado por uma onda de sentimentos suaves, desse amigo que não conheci na Terra, mas com o qual já interagi espiritualmente em algumas oportunidades, por pura afinidade de objetivos (talvez pelo fato de eu também escrever espiritualmente, em escala muito mais modesta, naturalmente, pois ele foi incomparável nesta área). Simplesmente eu estou sendo abraçado por Francisco Cândido Xavier, o médium que encantou a todos com sua bondade e desprendimento espiritual.

Em seguida, ele diz para alguém que eu não vejo:

“Pede ao pessoal para esperar, que eu já vou dar seqüência ao atendimento. Agora eu quero conversar com ele, pois os mentores querem lhe dar um recado.”

Ele me olha contente, como se fôssemos amigos íntimos de muito tempo, e sinto dentro de mim a mesma coisa, que nós já nos conhecemos de antes, de outras “encadernações”, ou períodos extrafísicos, entre vidas.

Estou bem lúcido e sento-me no chão em frente a ele, que permanece sentado numa cadeira. Observo-o claramente: ele está remoçado, como se aparentasse uns cinqüenta anos de idade. Os seus cabelos são bem pretos (agora ele não usa mais peruca, pois plasma o que quer) e ele está de óculos escuros. Sua atmosfera psíquica é excelente e é muito agradável ficar perto dele.

Penso: “por que ele está de óculos aqui?”

Ele percebe o meu pensamento, antes mesmo que eu o complete na mente, e me diz telepaticamente:

“O povo que vem aqui me conhece assim. Por isso eu mantenho essa aparência, mas não preciso de óculos não!”

Assim que ele diz isso, o óculos some de seu rosto e eu vejo o seu olhar brilhante e calmo. O que mais chama à atenção é a alegria serena dele. O homem está feliz da vida!

Finalmente, ele diz o motivo de eu estar ali:

“Tenho um presente para você. Alguém quer lhe falar, e eu serei o seu intermediário, com muita alegria.”

A seguir, ele se concentra e coloca as mãos em meus ombros. Em instantes, sou invadido por uma onda de amor sereno, que me preenche por inteiro. E por intermédio dele, uma consciência extrafísica maior se comunica comigo. Mente a mente, nós ficamos ligados, e um poderoso jorro de idéias flui, comunicando o que é necessário dentro de meu próprio Ser. Não agüento o tranco emocional e começo a chorar, enquanto aquela consciência maior me apóia e me incentiva a desaguar a pressão livremente, sem travas, com toda liberdade de ser eu mesmo, sem qualquer cobrança consciencial ou julgamento de qualquer espécie.

Em meio às muitas coisas que me são passadas ali, algumas pessoais, outras de cunho espiritual de trabalho, a principal é: “continue repassando os textos no mundo dos homens. Segue em frente... de maneira simples e universalista. Pense no Espírito do Cristo abraçando o mundo e se inspire Nele. Confia e segue...”

Em meio a tudo isso, entro uma expansão de consciência (7), e não tenho palavras para descrevê-la. Mergulho numa luz branca que permeia tudo e banho-me nela, e parece que ela é a própria felicidade em forma de luminosidade, que me nutre completamente e me preenche de contentamento sereno, e tudo isso sem eu sair do lugar, somente sob o influxo espiritual dessa consciência maior, que só consigo identificar como uma esfera de luz consciente.

Quando ela se desacopla mediunicamente do Chico, ele volta ao seu jeito normal e sorri. Seus olhos brilham muito e ele me diz:

“Gostou do presente? Agora desce lá para a Terra e volte ao seu corpo, para você lembrar de tudo. Eu também fui agraciado com presentes assim muitas vezes, principalmente quando estava muito cansado. Continue o seu trabalho no mundo e saiba que gosto muito de você. Somos irmãos de trabalho em Cristo. Ainda vamos nos encontrar muitas vezes, mas nem sempre você irá lembrar, mas isso não é o principal. O importante é cumprir dignamente a própria missão, coisa que alguém de fora jamais compreenderá, pois o que está no íntimo de alguém só compete ao Senhor saber.

Retorne ao seu corpo e faça os homens felizes com o seu trabalho. Se quiser, relate esta vivência espiritual. Fará bem aos outros.

Acima de tudo, é o Cristo que nos sustenta.”

Finalizando, ele me abraça e beija minhas mãos.

Em seguida, sinto um forte puxão energético na nuca (8) e uma sensação de cair de grande altura em frações de segundo, em meio a uma forte ventania (correntes de energia) contrária ao meu movimento descendente, para dentro do corpo físico. Abro os olhos imediatamente, para não dar mole e esquecer a experiência (9).

* * *

Cena 7: 09h30min.

Permaneço acordado desde 07h30min, momento em que voltei ao corpo e abri os olhos. Corri aqui para o note-book para escrever tudo isso, de improviso, para grafar os detalhes da experiência enquanto ainda estão quentinhos na memória.

O que sobra disso tudo é: tenho que continuar enviando os textos regulares pelo site. Só peço ao Senhor da Vida que me dê saúde e ânimo para continuar a jornada, e que novos recursos cheguem para a manutenção desse serviço luminoso entre os homens.

Paz e Luz.

P.S.: Agradeço ao amigo Francisco Cândido Xavier (11) por intermediar um encontro espiritual tão auspicioso.
Chico, valeu pelo presente!

- Wagner Borges, sujeito com qualidades e defeitos, espiritualista consciente, neófito da vida, que sabe que é apenas mais um trabalhador na senda espiritual, como muitos outros de várias linhas, tentando entre trancos e barrancos cumprir o seu dharma (10) dignamente no mundo, sob a inspiração do AMOR MAIOR QUE GERA A VIDA.
São Paulo, 02 de setembro de 2004.

1. IQ: Banda inglesa de rock progressivo que surgiu no início da década de 1980 e que continua em atividade até hoje. O seu som é baseado no Genesis da década de 1970, época em que os vocais eram pilotados pelo genial Peter Gabriel, antes da era pop da banda, com o Phil Collins nos vocais. O IQ apresenta um som bem mais pesado do que o Genesis setentista, e é contemporâneo de bandas como Marillion, Pallas, Pendragon e Jadis, entre outros do Neo-Progressivo inglês.
O trabalho novo da banda é o excelente “Dark Matter”, que não sai aqui do som. O CD é importado, mas vale a pena para quem gosta de um rock progressivo bem elaborado, com viradas de guitarra e teclados na medida certa, muitas vezes lembrando trechos instrumentais do Yes.
As melhores músicas deste novo trabalho são: “Sacred Sound” (1a música do CD, com 11:40 min) e “Harvest of Souls” (5a música do CD, com 24:29 min), que já são consideradas clássicas dentro da discografia da banda.

2. Tai-Chi: equipe extrafísica de amparadores ligados à egrégora (atmosfera espiritual) do Taoísmo. Originalmente eram duas equipes: a equipe Tao e a equipe Chi. Posteriormente, as duas equipes se fundiram numa só: Tao-Chi.
Esse grupo me passa ensinamentos oriundos do Taoísmo adaptados à realidade ocidental e aos estudos espirituais modernos, notadamente sobre as projeções da consciência e os estudos de Bioenergia. São exímios manipuladores de energia e ajudam muitos projetores.
Obs. Tao (do chinês): "O Caminho"; "a essência de tudo"; "O Todo". Na verdade, o TAO não pode ser descrito ou explicado por palavras humanas. Por isso, deixo a cargo do sábio Lao-Tzé uma explicação mais apropriada:
"Há algo natural e perfeito, existente antes de Céu e Terra.
Imóvel e insondável, permanece só e sem modificação.
Está em toda parte e nunca se esgota.
Pode-se considerá-lo a Mãe de tudo.
Não conhecendo seu nome, chamo-o TAO.
Obrigado a dar-lhe um nome, o chamaria Transcendente."
- Lao Tzé - in "Tao Te King" (China, 600 A.C) -

3. Mellotron: Revista argentina de rock progressivo. É considerada atualmente a melhor revista do mundo no gênero. O nome da revista é em homenagem ao instrumento “Mellotron”, teclado básico, atmosférico e característico da maioria das bandas de rock progressivo surgidas a partir do meio da década de 1960.

4. Om Sattva (do sânscrito: Om: a vibração do Todo que está em tudo; o som da criação, segundo a Cosmogonia hinduísta - Sattva: Equilíbrio, Pureza; é uma das três qualidades da energia manifestada nos planos fenomênicos: Rajas (atividade), Tamas (inércia) e Sattva. Baseado nesses conhecimentos oriundos da antiga Índia, montei um curso chamado simplesmente “Om Sattva”, que já está na 30a fase, contando mais ou menos com a mesma turma, que vem junta desde a 1a etapa, iniciada em agosto de 1997.
Este é um curso específico com a temática hindu e é realizado trimestralmente no IPPB, como um trabalho progressivo inspirado na sabedoria dos rishis hindus.

5. Os Iniciados: grupo extrafísico de espíritos orientais que opera nos planos invisíveis do Ocidente, passando as informações espirituais oriundas da sabedoria antiga adaptadas aos tempos modernos e direcionadas aos estudantes espirituais do presente. O grupo é composto por amparadores hindus, chineses, egípcios, tibetanos, japoneses e alguns gregos. Eles têm o compromisso de ventilar os antigos valores espirituais do Oriente nos modernos caminhos do Ocidente, fazendo disso uma síntese universalista. Estão ligados aos espíritos da Fraternidade da Cruz e do Triângulo. Segundo eles, são "iniciados" em fazer o bem sem olhar a quem.

6. O site do Somos Todos Um é uma dos maiores do país dentro da temática alternativa e espiritualista. Há seções específicas de viagem astral, chacras, Grafologia, Cromoterapia, Iridologia, Numerologia, Astrologia, Florais e outros temas alternativos.
Conta com um time de colunistas muito bom, organizados pelos batalhadores Sergio Scabia e Rodolfo Fonseca, organizadores do site.
O endereço do site é www.somostodosum.com.br ou www.vidanova.com

7. Expansão da consciência: Consciência cósmica (Ocultismo); Samadhi (Yoga).

8. Esse puxão na nuca é característico da tração energética do cordão de prata, na hora em que o mesmo traciona o psicossoma (corpo espiritual) de volta para o corpo físico.

9. Muitas vezes, em frações de segundos, o cérebro pode apagar a lembrança de uma projeção. Como exemplo, posso citar aqueles sonhos dos quais nos lembramos quando acordamos no meio da madrugada. Daí dormimos, e quando acordamos pela manhã não nos lembramos mais deles. Se isso ocorre com um sonho, que rola dentro do cérebro, imagine com uma projeção, que é uma vivência que rola fora do crânio, à distância do físico. Por isso é necessário levantar e escrever logo (ou mesmo gravar) o lance projetivo, para não esquecer depois.

10. Dharma (do sânscrito): Dever, Trabalho, Mérito, Benção, Missão, Programação Existencial, Meta de vida, Ação sadia no mundo, Atitude virtuosa.

11. Há um extenso texto que escrevi sobre o trabalho do Chico Xavier na seção de textos periódicos enviados pelo site. É o texto 356 - Na seqüência deste texto há um extenso relato projetivo passado pelo espírito André Luiz (extraído do livro “No Mundo Maior”).

Texto <549><03/09/2004>

548 - BALEIA DO RIO

- Por Maurício Santini -

Meus olhos marejaram ao ver aquela praia inundada de gente.
Gente que se fez sentir banhada por um oceano de compaixão.
Gente salgada pela doçura de uma maresia.
Como se todas as virtudes estivessem dentro daquela baleia.
Como se a Grande Mãe tivesse encalhado os seus sonhos.

Como Jonas, senti o calor do seu ventre no Rio.
E pude ver seus filhos tentarem de todas as formas o resgate.
Eram cordas, eram barcos, eram redes conectadas às sereias.
Era Netuno que chorava seus seixos e conchas...
E uma lágrima escorreu de Iemanjá e dela se fez o oceano.

Salvar uma baleia não foi o ato mais sublime.
Persistir, lutar pela vida e entoar ondas de louvor à natureza são atos ainda mais heróicos.
Deus, por meio dos homens, deixou Suas pegadas na areia.
Marcas de uma hombridade universal.

Todo o esforço que o coração fez para circular o sangue. Toda a viração. Toda a embarcação que acorrentava à liberdade. Todo o barquinho de papel das crianças. Tudo valeu a pena! A alma das baleias se elevou e fez seu berço no peito dos que lutaram com a bravura nestes mares tão bravios.

Não foi simplesmente um peixe grande que encalhou.
Foi o Grande Espírito do Oceano de Deus que se libertou e reencarnou em nós!

- Nota de Wagner Borges: Mauricio Santini é jornalista, escritor, poeta e espiritualista. É meu amigo há muitos anos, e sempre me emociono com os seus textos brilhantes e cheios daquele algo a mais que só os grandes escritores e poetas possuem.
Para ver outros textos dele, basta entrar em sua coluna na revista on line de nosso site (www.ippb.org.br)


- Nota do texto:
* Em homenagem aos seres que lutaram pelo resgate da baleia Jubarte no Rio de Janeiro.

Texto <548><31/08/2004>

548 - A GRANDE VIAGEM DO ESPÍRITO: A VIDA!

(Apenas Alguns Toques Para Dizer Que Vale a Pena Viver... e Aprender!)

A vida não espera.
Por onde você for, o tempo não pára, mesmo que você queira.
O que ficou, ficou...
O que se foi, passou...
É a vida em movimento. Somos viajantes eternos em suas trilhas.

Parece que somos passageiros na eternidade, mas a verdade é outra: somos eternos dentro do temporário. Ou seja, somos o eterno no movimento da vida que segue...
Na natureza, tudo passa! O traço característico da existência é a impermanência.
As coisas mudam, sim, mesmo que você não queira. Pessoas e situações vão e vêm em nossas vidas, entram e saem na esfera de ação do nosso viver. Isso é assim mesmo!
Há um tempo para tudo: o amanhecer, o meio-dia e o anoitecer. Da mesma forma, há um tempo para semear e colher; nascer, viver, partir, renascer e seguir...
Tudo passa! O que marca é a experiência adquirida.
As culpas e mágoas também passam!
No rio da vida, as águas do tempo curam tudo, pois diluem no eterno as coisas passageiras.
As coisas estranhas que aconteceram, os dramas que rolaram e as palavras que feriram também passam... se você permitir. Sim, se você se permitir notar que o tempo leva tudo, e que a vida segue... mesmo que você esteja emburrado agora.
Aquele ranço antigo ou aquelas emoções apagadas que, vez por outra, bloqueiam a sua alegria fazem parte do que é temporário, mas você é eterno.
Essas emoções passam por você, mas que tal virar o jogo?
Que tal passar por elas, sem se deter, apenas tirando a experiência e seguindo na vida?
Sim, tudo passa mesmo! As estações se sucedem no tempo certo: primavera, verão, outono e inverno. Isso não é bom ou ruim; é apenas natural. Como é natural o espírito imperecível entrar e sair dos corpos perecíveis ao longo da cadeia reencarnatória. Como é natural seguir para frente, pois o tempo não pára e a vida segue...
E, do centro da Consciência Cósmica, o Grande Arquiteto Do Universo, o Supremo Comandante de todas as vidas e de todos os tempos sorri e diz a todos:

“Tudo passa, menos o Meu Amor por todos.
As experiências vão, mas o aprendizado fica.
É impossível deixar de existir, pois a evolução é inevitável!
Todos estão destinados à Consciência Cósmica, mesmo que não entendam isso agora. Porém, se o desentendimento é passageiro, a felicidade advinda do processo de evoluir continuamente será imperecível.
Tudo a seu tempo!
Enquanto evoluem e aprendem a arte de viver, passem e vivam... e não se detenham até alcançar a meta!
O Amor é o que vale!”


(Estes escritos são dedicados às pessoas que perderam seres amados, seja pelo motivo que for. Que a luz do discernimento e dos sentimentos mais elevados possa devolver a elas o tesão de viver e o gosto de aprender novas lições na existência. Que elas percebam que cada dia leva consigo a maravilha do momento, que sempre passa...
Que elas se permitam ser felizes novamente, somente pelo motivo de que existir é um privilégio. E viver é fantástico!)
Paz e Luz.


- Wagner Borges -
(São Paulo, 19 de agosto de 2004.)

- NOTA: Enquanto eu passava estes escritos a limpo, lembrei-me de um maravilhoso texto do sábio hindu Sry Aurobindo (1872 –1950). Penso que sua inspiração espiritual possa ser um presente para os leitores, bem aqui no fim destes escritos que, como a vida, também passam... e ensinam!
Seguem-se as suas belas palavras numa verdadeira seqüência luminosa, dedicada Àquele Poder Maior que é a causa da vida de todos nós, temporários na aparência, eternos na essência.





============================
A SABEDORIA DE SRY AUROBINDO
============================

...Levanta teus olhos em direção ao Sol.
Ele está lá nesse maravilhoso coração de vida e luz e esplendor.
Observa, à noite, as inúmeras constelações cintilando como outras tantas fogueiras solenes do Eterno no silêncio ilimitado, que não é nenhum vazio, mas pulsa com a presença de uma única existência calma e tremenda.
Olha lá Orion, com sua espada e cinto brilhando, como brilhou aos antepassados Arianos há dez mil anos atrás, no começo da era Ariana; Sírius no seu esplendor, e Lyra percorrendo bilhões de milhas no oceano do espaço.
Lembra-te que estes mundos inumeráveis, a maior parte deles mais poderosos que o nosso próprio, estão girando com velocidade indescritível ao aceno desse Ancião dos Dias, a quem ninguém, exceto Ele, conhece, e contudo são milhões de vezes mais antigos que teu Himalaia, mais firme que as raízes de tuas colinas e assim permanecerão até que Ele, à sua mercê, sacuda-os como folhas murchas da eterna árvore do Universo.
Imagina a perpetuidade do Tempo, considera a incomensurabilidade do Espaço; e então lembra-te que, quando estes mundos ainda não existiam, Ele era ainda o Mesmo.
Observa que além de Lyra, Ele está, e no longínquo Espaço onde as estrelas do Cruzeiro do Sul não podem ser vistas, ainda assim Ele lá está.
E então volta à Terra e considera quem é este Ele.
Ele está bem perto de ti.
Repara naquele homem idoso que passa perto de ti, abatido e curvado, apoiado em seu bastão. Imaginas tu que é Deus quem está passando?
Há uma criança rindo e correndo ao sol. Podes tu ouvi-Lo nesse riso?
Não, Ele está ainda mais próximo de ti. Ele está em ti, Ele é tu mesmo.
És tu que ardes lá longe, há milhares de milhas de distância, nas infinitas extensões do Espaço, és tu que caminhas com passos confiantes sobre os turbulentos vagalhões do mar etérico.
És tu que colocaste as estrelas em seus lugares e teceste o colar de sóis, não com mãos, mas por este Yoga, esta Vontade silenciosa, impessoal e inativa, que te colocou hoje aqui, ouvindo a ti mesmo em mim.
Olha para cima, oh filho do Yoga antigo, e não sejas mais medroso e céptico; não temas, não duvides, não lamentes, porque em teu aparente corpo está Aquele que pode criar e destruir mundos com um sopro.


- Sry Aurobindo -
(Texto extraído do maravilhoso livro “Sabedoria de Aurobindo” – Editora Shakti.)

Texto <548><31/08/2004>

547 - UTOPIAS ESPIRITUALISTAS - E SUA RAZÃO

(Algumas Palavrinhas Sobre Jesus, Anjos, Almas Gêmeas, ET´s, "Deus" - e Suas Distorções)

- Por Lázaro Freire –

O mito de Jesus é um tanto quanto equivocado, assim como o "Jesus" que as religiões construíram. Entre tantas coisas sobre Ele, de tantas igrejas, pesquisas, mitos, evangelhos, filmes, simbolismos, psicografias, fundamentalismos e versões, cada um passou a enxergar este "Jesus" com as cores do óculos escuros que usou. Todos se julgando corretos em sua óptica e agredindo – ou ignorando - a óptica do seu irmão.

E assim, de tanto vermos distorções e descobrirmos tantas vezes que Ele não é o que disseram que era aqui, ou acolá, vimos que nenhuma das descrições se mostrava acertada. E muitas vezes desacreditamos até do que já havíamos experimentado, em Seu Nome, em outros tempos.

Entretanto, além de credos e distorções, há uma Consciência de Luz, que atua nesta freqüência. E não faz diferença ser ou não o mesmo da história, ou o da religião, ou o dos mitos. Ou uma egrégora (1), materializada ou não, atuando em nome de tudo que já se fez nesta vibração. Pouco importa. Ele, ou "ele", é pura coluna luminosa de amor e compaixão, mesmo assim.

Talvez nem haja um Jesus, como imaginávamos. Talvez, quem sabe, nosso mestre nem seja um só. Pouco importa. Mas há algo bem real, invisível aos olhos, mas visível ao coração, que justifica, como elemento comum, o porquê de tantos elementos diferentes, distorcendo ou não, colocarem neste "conceito" um ideal de amor. E na falta de nome, já que todos seriam imprecisos, eu o chamo mesmo de Jesus. Mas tanto faz.

Há também mitos sobre anjos. Cada um modificado com o tempero religioso - ou esquisotérico (2) - de quem os "vê". Devas (3), santos, anjos da guarda, príncipes, potestades, orixás, ultraterrenos, mentores, amparadores, seres do plano mental, ET´s, comandantes estelares, consciências "da" quinta (4) dimensão (sic).

Tantos nomes, velas, quadros, credos - e tão pouco discernimento...

De tanto vermos este conceito distorcido, justificando os mais estranhos sistemas, começamos a investigá-lo, a partir de nossa referência, da qual é impossível compreender Algo Maior. E assim, "inteligentes", olhamos para o espaço a partir de nossa óptica reduzida, intencionando "averiguar e provar" o que nos transcende, a partir de descrições equivocadas. E vendo que as descrições distorcidas não correspondiam ao verossímil, passamos, pela mente, a desacreditar - até mesmo do que já havíamos experimentado em nosso coração.

Entretanto, além de credos e distorções, ainda assim há seres - ou algo maior que isso - de elevado nível consciencial. Alguns translúcidos, outros sem forma humana, outros simplesmente sem forma alguma. Alguns ligados aos elementos e equilíbrio do planeta, outros à evolução coletiva. Outros, simplesmente, ao Amor.

Seres - ou algo maior que isso - que não necessitam de palavras e são a pura expressão do "Amor Que Gera a Vida". Perdemos nossa via de comunicação, e às vezes não os sentimos, aliados, junto a nós. Mas estes seres - ou algo maior que isso, sejam lá o que forem - existem em puro Amor, mesmo assim.

Talvez nem haja "anjos", ou "devas", como imaginávamos. Talvez, quem sabe, nosso protetor espiritual nem seja um só. Pouco importa. Mas há algo bem real, invisível aos olhos, mas visível ao coração, que justifica, como elemento comum, o porquê de tantos diferentes, distorcendo ou não, colocarem neste "conceito" um ideal de Amor. E na falta de nome, já que todos seriam imprecisos, eu o chamo de Anjo. Mas tanto faz.

Há também bastante fantasia romântica sobre almas gêmeas, afins e duplas de evolução. Adequadas ao comodismo de cada um, o belo conceito adquire cores esquisotéricas, romanticóides e popularescas, as mais diversas. Justifica uniões cármicas (5). Dá desculpas para o mero desejo (que poderia sem bem vivido, sem necessidade de fantasias). Endossa a emoção grosseira, sufocando o sentimento sutil.

Depois, a decepção - sempre medida pela mesma régua da expectativa. O que parecia uma saída fácil para nossa falta de vontade de atuar e perseverar pelo Amor, torna-se desilusão. Descurtimos, desistimos, desficamos, trocamos nossas oportunidades de Amor por um novo "presente pronto dos céus" – que nunca vem. E assim, em véus de Maya (6), as inúmeras (?) almas gêmeas de ontem vão-se tornando as mágoas - ou pensões alimentícias - de amanhã.

Aos poucos, vamos desistindo de um Amor Maior, evolutivo, a dois; e trocando duplas evolutivas por relações rasas, breves, cômodas ou sem sintonia – como se o Amor fosse culpado de nossos caprichos românticos e expectativas (7). Ao mesmo tempo em que novas receitas e livros ensinam a encontrar as tais "almas" às quais havíamos acabado de renunciar.

Em meio a tantos equívocos e fugas, fica mesmo difícil acreditar. Como não negar? Olhamos desconfiados para os filmes, já sabendo distinguir e condenar (?) a paixão como não-amor. Mas nem por isso encontramos e vivemos o verdadeiro Amor.

Entretanto, além de credos e distorções, ainda assim há duplas evolutivas - que se complementam, se ajudam e se amam, entre vidas. Se não para sempre, pelo menos por muito tempo. Ainda que não vivam sempre este Amor, de forma romântica, na Terra. Mas, também, por afinidade, nada contra poder (e saber) vivê-lo aqui, também.

Há seres que, de tão afins, podem sim se unir, de forma complementar, formando um sistema, dharma (8), ou Amor maior - assim como homem e mulher, juntos, podem dar à luz. Almas afins, com planejamento intermissivo, que nos permitem em algum momento dar e receber amor, de forma especial - e crescer com ele, para que nunca confundamos com mera paixão. Ou que nos permitem simplesmente estar estáveis, em Amor, para o cumprimento de um dharma maior. Amparadores vivos, companheiros evolutivos, exortando-nos, dia a dia - mesmo quando não é fácil ou "romântico" - ao nosso melhor.

Embora não haja promessa romântica no contrato reencarnatório, há também espaço para os reencontros de Amor - o qual, manifestado em todos os níveis, não exclui o a dois. E se serão vividos em uma vida, podem ser vividos nesta vida, ainda que por um tempo, entre os que buscam sintonia, amor e evolução. E assim, os mais produtivos se tornam mais unos e se repetem, reforçando a união que deu origem ao conceito, independentemente de suas mônadas e possíveis origens ou destinos comuns.

Podem não ser deterministas como as expectativas de alguns. Podem ser menos apaixonados, aos olhos de quem os julga, do que relações transitórias. Talvez sequer sejam reconhecíveis, por terceiros, como tão especiais. Talvez se esqueçam um do outro, após se separarem, uma vez que não se "possuem", a não ser pela vontade. Talvez só se encontrem em breve período crítico, em que apenas alguém tão afim poderia nos ajudar. Provavelmente não escapem da transitoriedade do que se manifesta na Terra, e "desapareçam" pouco depois.

Mas não faz diferença. Mudam para sempre nossas vidas, ainda que, em Maya, nos esqueçamos quando, ou quem. São expressão do Amor, ainda assim, e este, ao contrário da paixão, é sempre eterno - mesmo quando não pode ser eterna a sua manifestação.

Talvez não sejam "almas-gêmeas", e nem mesmo "almas-afins", como imaginávamos. Talvez, quem sabe, nossa alma "única" nem seja uma só. Pouco importa. Mas há algo bem real, invisível aos olhos, mas visível ao coração, que justifica, como elemento comum, o porque de tantos diferentes, distorcendo ou não, colocarem neste "conceito" um ideal de Amor. E na falta de nome, já que todos seriam imprecisos, eu o chamo de Almas-Afins. Mas tanto faz.

Há também mitos diversos sobre ET´s, naves, missões de resgate planetário, comandantes... Algumas coloridas com os mais estranhos aromas e sabores New-Age que produzimos nos últimos anos. Outras, ressuscitando credos apocalípticos, segregadores de escolhidos, ou fatalistas - herança teológica de muito mais tempo atrás. Distorcidos de mil formas, passamos a desacreditar.

Entretanto, além de credos e distorções, ainda assim há consciências que não se originaram neste planeta, usando vários níveis e corpos de manifestação. Aliás, seria surpresa se nós fôssemos daqui. Ainda que não sejam exatamente o que os "adoradores de ETs" (9) gostariam de encontrar. Ainda que não "provem" nossa posição no último debate. Mas muitos os vêem, ou sentem sua presença, cada um a seu modo, e não tem mais como os negar. Não pedem religiões, nem canais, nem congressos, nem comunidades isoladas do mundo, nem adoração, nem adesivos. Simplesmente consciências de outra linha evolutiva, acompanhando e ajudando a humanidade a seu modo, mesmo que não seja o que compreendemos. O que não deixa de ser Amor, ainda assim.

Talvez não sejam "Comandantes Estelares", e nem mesmo "Mestres dos Raios", nem tampouco "invasores", como imaginávamos. Talvez, quem sabe, nem sejam um povo só. Pouco importa. Mas há algo bem real, às vezes até visível aos olhos, mas também visível ao coração e à projeção extrafísica (viagem astral, projeção da consciência), que justifica, como elemento comum, o porquê de tantos diferentes, distorcendo ou não, falarem deste "conceito" de acompanhamento extraterrestre. E na falta de nome, já que todos seriam imprecisos, eu o chamo de ET´s. Mas tanto faz.

Além de todos estes conceitos, há um Princípio Inteligente, Maior, que permeia tudo. Não ouso falar sobre Ele, nem contê-lo em minhas expectativas, mas muitos tentaram. E de tanto tentarem fragmentá-lo, distorcê-lo e reduzi-lo, e nos apresentar em Seu nome ideologias e fundamentalismos os mais nocivos e desarrazoados, passamos, por bom (?) senso, a n´Ele desacreditar.

Entretanto, além de credos e distorções, além das (des)crenças, na origem do universo, na câmara secreta do coração, algo É, e Está. Por detrás do Self (10), do Tao (11), de Deus, de Jeová, de GADU (12), do samadhi (13), da individuação (14), do inconsciente coletivo (15), do akasha (16) e de tudo mais, há ainda uma Força Maior, Inteligente e Viva, nos conduzindo ao centro. Religiões e nomes à parte, pode não ser o que esperávamos Dela, mas pouco importa. Na terapia, na religião, na espiritualidade, nos sonhos, nas escolas místicas, dentro de nós ou na comunhão, Ela é força de centro, e é Amor, ainda assim, nos conduzindo ao centro deste.

Talvez não seja "Deus" ou "Tao", e nem mesmo antropomórfico, como imaginamos um dia. Talvez, quem sabe, sejamos todos, nós e Ele, UM só! Pouco importa. Mas há algo bem real, invisível aos olhos, mas visível ao coração, que justifica, como elemento comum, o porquê de tantos diferentes, distorcendo ou não, falarem deste "conceito" divino, Centrador, Maior. E na falta de nome, Incognoscível por incognoscível, já que todos seriam imprecisos, eu O chamo de DEUS.

Mas, pensando bem... Tanto faz

Somos todos um só!


São Paulo, 17 de maio de 2004.

(Dedico este texto ao Mestre Jesus e ao amigo "Kiko" de Assis; ao ser cristalino, translúcido, alado e angelical, que apareceu em meu quarto na semana passada, flutuando frente à frente sobre o meu corpo em catalepsia projetiva (17), emanando e ensinando a pura expressão do Amor Que Gera a Vida; à Simone "Mony" Andeglieri, alma-afim que volta e meia, entre encontros e desencontros desta(s) vida(s), me permite manifestar mais Amor, aprender, ensinar, chorar, sorrir e me conhecer um pouquinho melhor; aos amigos das naves que, fora do corpo, nunca me pediram para fazer religião para eles; e, acima de tudo, ao Incognoscível, Causa Maior do Amor de todas as outras dedicatórias, O qual, na falta de um nome, vou chamar mesmo de Deus).

- Nota de Wagner Borges: Lázaro Freire é pesquisador, projetor, espiritualista, fundador e moderador da lista "Voadores" da internet – www.voadores.com.br . Maiores informações sobre o seu trabalho podem ser obtidas em sua coluna na revista on line de nosso site – www.ippb.org.br
Originalmente pensei em postar esse excelente texto do Lázaro apenas em sua coluna da revista on line, principalmente devido a extensão do mesmo. Contudo, considerando a importância de seus apontamentos conscienciais, muito importantes e necessários dentro do contexto dos estudos espiritualistas, resolvi enviá-lo em aberto para todos. Espero que os leitores possam mergulhar fundo nesses toques conscienciais sadios de nosso amigo e companheiro de jornada, Lázaro Freire, um dos maiores pesquisadores espiritualista do país.


- Notas do texto:

1. Egrégora (do grego “Egregorien”, que significar “velar”, “cuidar”): é a atmosfera coletiva plasmada espiritualmente num certo ambiente, decorrente do somatório dos pensamentos, sentimentos e energias de um grupo de pessoas voltado para a produção de climas virtuosos no mundo.
É a atmosfera psíquica resultante da reunião de grupos voltados para trabalhos e estudos baseados na LUZ. Pode-se dizer que toda reunião de pessoas para a prática do Bem e da Virtude (independentemente de linha espiritual) forma uma egrégora específica, uma verdadeira entidade coletiva luminosa, à qual se agregam várias outras consciências extrafísicas alinhadas com aquela sintonia espiritual para um trabalho interdimensional.
Provavelmente foi por isso que Jesus ensinou: "Onde houver dois ou mais em meu nome, aí eu estarei."
Muitos dizem que não se deve misturar egrégoras de trabalhos diferentes, porém, quando o Amor se manifesta, desaparece qualquer ideologia doutrinária, e só fica o que interessa: a LUZ.
O dia em que os homens despertarem para climas mais universalistas e cosmoéticos, com certeza nesse mundo será melhor de se viver.
Viva a LUZ, pouco importa o nome, o grupo ou a doutrina que fale dela. E viva os mentores espirituais que ajudam a todos, independentemente de credo, raça ou cultura esposada.

2. Esquisotérico: expressão irônica para o pessoal que “viaja na maionese psíquica” e fantasia demais sobre a vida e a espiritualidade.

3. Devas (sânscrito): consciências superiores, que podem, a grosso modo, em alguns casos, ser comparadas ao conceito de anjo ocidental.

4. Admitindo as três dimensões usuais e mais o tempo como eixos, alguém não pode ser "da" quinta (ou qualquer outra) dimensão, nem morar nela - a não ser que seja um ponto. Cada eixo constitui uma dimensão. O correto seria acreditar em sucessivos espaços ("planos 3d") multidimensionais, que se sucedessem, variando entre si, através de um eixo tal que constituiria uma quinta (ou qualquer outra) dimensão - que poderia ser a freqüência espiritual, a vibração. A quinta dimensão, no caso, seria o eixo imaginário que cortaria os sucessivos "planos" espirituais. Portanto, dizer que um ser é DA quinta dimensão, ou que habita NA quinta dimensão, ou que foi levado ATÉ a sétima dimensão, é um equívoco grave, perfeitamente perdoável para nós que não compreendemos bem geometria analítica, mas desmascarador se vier de algum suposto "mestre", "comunicante extra-terrestre" ou "consciência superior".

5. Uniões Cármicas: relacionamentos cuja forte atração inicial é mero atrativo para que antigos desafetos se reencontrem, ou que pendências desta vida mesmo sejam revividas com novos personagens. Devido à necessidade urgente de convívio, podem surgir sincronicidades e facilidades, facilmente confundíveis com sinais espirituais. Entretanto, estes pouco acrescentam evolutivamente, caindo na esfera da fenomenologia romântica. O forte deste relacionamento, a médio prazo, é a emoção, a estagnação evolutiva, a sexualidade, as fortes discussões e uma força cármica de coerção.

6. Maya (sânscrito): ilusão. Véus de Maya, esotericamente, representam o que nos turva a visão espiritual, de modo a não enxergarmos a natureza real e divina da manifestação.

7. Não estou falando de se permitir estar com alguém interessante ao seu lado quando não se tem alguém, nem tampouco dos válidos fins bem terminados, quando os caminhos se bifurcam, mas sim da troca constante do amor por novas e novas paixões.

8. Dharma (do sânscrito): Dever, Mérito, Trabalho, Ação virtuosa, Benção, Programação existencial, Atitude feliz.

9.Adoradores de ET´s: expressão pela qual algumas consciências extraterrestres se referem aos que confundem sua participação arreligiosa e respeitosa na evolução terrestre, preferindo cultuá-los, como se os seres um pouco mais à frente compartilhassem com seus complexos de adoração e idéias fantasiosas.

10. Self / Si mesmo. Elemento maior da consciência, que engloba todos os arquétipos. A unidade da personalidade. Arquétipo central e organizador de toda a psique (do grego: “alma”). Comumente simbolizado pela mandala ou por uma união paradoxa de opostos. Empiricamente, ele é semelhante à imagem arreligiosa ocupada, em alguns credos, pela "função" do conceito maior de "Deus".

11. Tao - Conceito taoísta para o Todo. A totalidade da divindade com sua manifestação. Pode ser associado a Deus, porém em um conceito maior, não personificado, que engloba tudo, criador e criatura, "bem" e "mal", toda a energia (Chi) Dele manifestada, e a totalidade dos opostos (Yin e Yang) em que este Chi se manifesta.

12. G.A.D.U. - Grande Arquiteto Do Universo. A Causa Primária. Conceito de Deus não manifestado. Criador + Criatura. O Todo. Tao.

13. Samadhi (do sânscrito): Expansão da consciência; Fusão ao todo; Imersão em ágape; Experiência mística; Consciência cósmica; Último grau do Yoga; Satori (no Zen-Budismo); Encontro com o Nirvana (o conceito budista de dissolução do ego no Todo).

14. Individuação: processo de centramento psicológico, desenvolvendo a personalidade individual, e nos levando a experimentar o Self como centro da personalidade, transcendendo o ego. Longa série de transformações psicológicas, algumas aparentemente "difíceis", que culminam na integração de tendências e funções opostas, e na realização da totalidade. A grosso modo, pode ser visto como um pequeno samadhi em vida, no qual não se busca a experiência mística direta, nem tampouco a perfeição, mas um estado de centramento e felicidade, onde o ego aumenta o conhecimento de si mesmo.

15. Inconsciente coletivo: camada estrutural da psique humana que contém elementos herdados, distintos daqueles do inconsciente pessoal. Contém toda a herança espiritual da evolução da raça humana, que eclode de novo na estrutura cerebral de todo indivíduo, incluindo padrões e imagens universais comuns a todos os povos (arquétipos), representações simbólicas específicas ou imagens arquetípicas. É a camada mais profunda do inconsciente. Normalmente inacessível à consciência comum, é de natureza supranormal, universal e não-individual.

16. Akasha (sânscrito): o elemento éter, o qual junto com água, terra, fogo e ar, forma o quinto elemento dos hindus. O conceito de "registros akáshicos" possui claras analogias com o inconsciente coletivo.

17. Catalepsia projetiva: estado alterado introdutório a algumas experiências fora do corpo (projeção), onde o corpo espiritual (psicossoma) parece "paralisado" por sobre o corpo físico, ou flutuando pouco acima dele. Desperto consciencialmente fora do corpo, lúcido, o "projetor" às vezes tenta movimentar o corpo físico, no que evidentemente não encontra sucesso, devido à queda do metabolismo e à baixa freqüência das ondas cerebrais.


OBS: As observações junguianas foram adaptadas de outros glossários da internet e da minha própria leitura de Jung, e visam apenas ser didáticas, fatalmente podendo conter em si algumas imprecisões acadêmicas ou simplificações.

Texto <547><24/08/2004>

547 - A SOMA

Quando eu fiz o catecismo, ensinaram-me que 1+1 era igual a 3.

Quando li pela primeira vez o “Livro dos Espíritos” e “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Allan Kardec me fez ver que 1+1 na verdade era 2.

Quando comecei a estudar religiões orientais, cheguei à conclusão, via “Bhagavad Gita”, “Alcorão” e “Torah”, que 1+1 era 11.

Quando finalmente estava satisfeito com a minha resposta, a vida pediu que o coração me informasse que todas as respostas anteriores também estavam certas.

Hoje, por esses caminhos espiritualistas e universalistas, estou começando a desconfiar que para certas somas não há respostas absolutas, principalmente quando fazemos a mesma conta usando como calculadora diferentes pontos de vistas.


- Frank -
Londres, 16 de julho de 2004.

- Nota de Wagner Borges: Nota de Wagner Borges: Frank é o pseudônimo do nosso amigo Francisco, participante do grupo de estudos do IPPB e da lista Voadores, que atualmente mora em Londres. Ele escreve textos muito inspirados e nos autorizou a postagem desses escritos. Há diversos textos dele postados em sua coluna da revista on line de nosso site, e em nossa seção de textos periódicos, em meio aos diversos textos já enviados anteriormente.

Texto <547><24/08/2004>